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26 de fevereiro de 2010

Corpo e Alma

De 1986 pra cá eu nasci e cresci
Passei, sem peso, pelo tombo de uns muros
Pela retirada de presidente e marajás, impuros
Fui criança presente e vidrada na Eco sem futuro

Criado num Brasil que nunca me convenceu
Que não mudou seu portais, suas escolas, suas favelas, seus hospitais
Cresci em mágoa engasgada
Pois vi crianças, meus pares, mendigar, vi preconceito em demasia, sem cessar

Nadei em rios, hoje mortos
Vi meu corpo vibrar em 2000
Promessas sobrepondo promessas
De um novo mundo pra se viver, de um novo lugar

Não sabia, mas estava acima de caminhos a direita ou esquerda
Estava acima da história que tios, pais e especialistas já haviam escrito
Cresci num planeta mais cinza que vocês, com lixo até mesmo espacial
Que não notamos, pois nem mesmo vemos o que permeia nosso meio natural

Acontece que hoje, to esperando um filho, filho meu
Tenho uma irmã que em breve vai nascer
Tenho icebergs e guerras religiosas ao meu redor
Tenho um oceanos de plástico, no qual me banho, sou talvez um índio só

Abaixo de minha pele, esse coração que quase rompe meu peito
Não me deixa mais descansar, não me da mais hora, não vai simplesmente parar
No mais tropical de todos os países, no mais belo cenário, me doem tuas cicatrizes
Descobri, planeta meu, lugares por onde você morre mais cedo, por dentro,ao passo lento

Tive que descer da média feita por nossa classe até os portões de nosso coletivo inferno
Era uma lagoa de pedaços mortos, uma imensidão de restos e nojo, um reflexo divino disforme
Era tanta, tanta morte pelos meus pés, cheiros e pedaços vindos como defuntos nas marés
Nem meu país bonito, nem meu carnaval, meu verão entendeu o que era aquilo

Era eu, vivo, vivendo quando havia vento, morrendo por entre moscas, comida, plásticos, papeis
Meu corpo em meio ao lixo, o contraste de uma vida, de sangue na veia e paixão consumida
Minha fronte, em meio a extensões de nós que são imortais, nós planeta, nosso suicídio sem paz
Eu parei, eu guardei, eu não pude chorar, não pude simplesmente consertar, não era o mesmo ao voltar

Voltei um tanto mais velho, um tanto mais sério, mas um tanto a mais a sonhar
Era e não era o meu mundo, era e não era o meu lugar...
Confusa compreensão de que ali eu estava e também que tentava ignorar
Que era minha aquela terra morta, aquela morte, aquele lugar sem nome, sem sorte

Não há descrição, há chance viva de buscar entender a isso
Não posso ir e voltar e não estar agora sem dormir, sem naquele lado humano pensar
Agora compreendo metade da minha vida, outra metade deixo passar
Agora sou um homem, filho e pai, com lágrimas nos olhos e bruta coragem, que vem lutar

Desculpe aos que fiquei de visitar, mais tarde tentarei voltar
Desculpas aos que encontrarei pela frente e não terei pureza de criança para abraçar
Desculpe mãe, minhas amigas querida, minha amada, minhas deusas, divas do meu lar
Mas to mexido, coração meu magoado, sentimento perdido, to de frente para o mundo, e o vejo totalmente destruído

Ando pelo mundo com as mãos vazias, sem armas, sou guerreiro de palavras
Estrangeiro na própria casa, filho de uma geração de uma tal farsa, de consumos de produtos em massa
Irreconhecível e frágil, menino sentimental, destemido, entendeu-se num mundo irreal
Que persegue revoluções silenciosas, dito da geração y, que nem mesmo se sabe, despretenciosa

Tendências não conseguem me atingir, como conseguiu aquela sensação aquele dia
Carrego segredos abaixo da própria pele, carrego incompreendimento, e uma dor que arde como febre
O futuro é quase que todo o mais óbvío possível
Meu quarto escuro, guarda meu canto, do qual agora fujo

To tentando achar um espaço, to vendo se me livro do peso do cansaço
Pra mim é dificíl correr tanto e terminar sem abraço
Sou entre tantos outros mais um mortal
Que nasceu livre (eu acho) com corpo e alma com gosto de carnaval






27/02/10
Teo Petri

21 de fevereiro de 2010

Por do Sol

Há dias que essa tal música me canta
Para contar de meus últimos dias
Haveria dias de sol demais
Meninas que dançam, mergulhos, haveria carícia

Meninas lindas me acompanham
São leves os companheiros com quem vagueio
E temos tardes que não correm tempo ou dinheiro
E Madrugadas onde somos alheios a dor

Musicada, seriam a narrativa de nossas vidas, contagios vís
Antítese de cotidianos não gentis
Somos agora Euro-Afro-Índio e outras efemeridades que não lhe disse
Latinas felinas, soltas, meninas de metropolitana selvageria, tais as Misses de Brasil

Povo sem cara, sem rosto, povo de movimentos alegóricos, de máscaras
Fevereiro me levanta, me esbanja, me encanta
Ao fim, sem dó ou piedade, de verão que revoo mais alto num sonho forte e bom
Luzes que romperam minha varanda, Pedras que são alma para o chão

Nada, de ti, me leva
Me espero... sou criança que se reinterpreta
Menino que cresce
Moço que ama

Homem de barba
Senhor que, não só apenas, dança

Eu mesmo... em vida
Eu mesmo... em sonhos de criança










Teo Petri

7 de dezembro de 2009

Som de Y

Fibras óticas e titânicas
Sinapses robóticas, diletantes
Sistemas acéfalos, dominantes
Geração paralisada, pandemia ignorante

Em discurssos, bares de argumentos ébrios
Conheço pouco a pouco tuas virtudes
Supra leves, de tão vazias
Tão livres, pois em ninguém habita


out/09
Teo Petri

19 de outubro de 2009

Minha Forte

Vem e suga meu sumo
Toca-me vertigem
Adoça-me ao desesperar
Me humilha, ao me abandonar

Maravilha, vendo toda a vida
Num olhar de escotilha

Vem, me desperdiça
Me vende
Mas tem que bater e apanhar
Marcar

Ser o inferno e o meu bebê
Que dorme e baba

Adorar o teu imperfeito óbvio
Que me desafora
Vem, me cobre de medo
De te perder

Transborde em mim
No que eu lhe derreter

Vem, mas venha decidida e má
Me olhe, e não desvie o olhar
Dinamitando o meu ar
Vem, que não aguento te esperar

Venha, meu delírio
Sede tua, sem razão

Vem pra me assustar
Mãe dos meus filhos
Brinca no meu labirinto

Fiz todo pra ti
Vem forte

Só me abraçar



Teo Petri
19/10/09

Sampa Nua

Tais ruas, cultura tua
Me encanta, flutua em dança
Retro-vícios, sua inanimada grua
De quem se cansa

Esperança, da fração tua
Que me alcança

Vai-te sampa de minhas solas
Contornas concórdias, implode em hitória
Contadores de tais trovas
Não me importa sua corsa-escória

Sua gente tangente
Das esmolas

Sua intrínsica doutrina
Aos Quasímodos, nati-morta
Do que ainda restou, traz-me
Um pouquinho, um quase nada

Que meu toque sentiu e gostou
E a toda prova resiste

Platônica forma de atração
Que me insiste
Vou, mas não te largo
Voo e no voo

Te vejo nua
Do espaço



18/10/09
Teo Petri

9 de outubro de 2009

Oca

Segure a minha mão
O tempo já se exclúi
E não pude mudar minha decisão
Só não me morda

Mas segure forte, por que o mundo vai balançar
Não solte a minha mão
Ando pensando, aqui e ali
Se é o mundo um desencontro

Um planeta ou uma bola, que brilha
Uma estranha atmosféra, um vulto opaco, e um paraíso
Ruma incerta, e é o Sol que lhe segue

Se não se auto destrói
Vai tirar tudo debaixo da Terra
Traz cá pra cima, deixa oco, desconstrói

Inumeras guerras
Inúmeras danças
Inúmeras plantas

Esta tudo fora de controle, como eu gosto


(Teo Petri)
set/09

A Soma dos Excluídos

No Rio que eu vivo
Eu vejo coisas que não entendo
No Rio do Rio mais real, que o Rio triunfal
Há o Rio do Rio que é podre, triste e mau

Há no Rio que descubro realidades que me doem
E matam o bem querer que há em mim
Há muito mais do que imaginas, se o Rio que lhe chega
É o das páginas das revistas, fantasiosa realidade, filha da puta e maldita

Rio, onde os trabalhadores merecem tiros
São pobres... e sonhadores de seus direitos, furtivos
Rio, que eu desejaria na minha mais maligna perversidade destruír
Seus políticos boçais e eternos, e policiais legitimados pelos infernos

Rio, preciso te dizer, Rio abaixo de meus pés
Seus filhos não se entendem, andam se matando, há uns poucos bons em fuga pelos bordéis
Capital mundial da putaria santificada, por igreja e mídia forçada, dem na cabeça sacrificada
Rio outrora belo, que enterres todo elogio nessa chorosa mágoa

Enquanto bater, chutar e forjar gostar de teus retíntos que se movem por trens
Vou querer fugir, e continuarei a odiar, os esquemas que tens
A beleza restrita a sua classe de auto-convícta nobreza, Rio, você acabou
Banal em violência e tragédias mórbidas, fique com seus zumbis errantes em inglórias

Que se atropelam, se desprezam, pequenas cabeças de merda pulsante
Não tolero nem mais um instante esse modo de vida, de achar desculpas para tudo
Arrogante, desejo-lhe um foda-se bem grande
A ti, e aos que não gostaram do que leram até o instante

Vivam pois, com suas sub-rações e pseudorezas, com suas ruas de lixo e de flores sem terras
Vivam boiando se sentindo numa quase paris.losangeles.lisboa.recife.londres
Que digo-lhe, não és, não tanges
Sei que não me expresso bem e que sou claro até demais, anseios duplos, os tais

Estudantes, governantes, intelectuais, artistas, pais de família, ignorantes marginais
Vou te buscar Rio, no mais profundo, tenso e sinistro, obscuro submundo
Onde dia após dia sua massa de heróis ruma, a sacodir, ao destino de trabalhar
Sem ver belezas, dinheiro, ou mínimo indício de orvalho

Abraçam-te Rio com os próprios braços
Não os de cimento, esse é gesto fácil
Mas com músculos que se esvaem ao tempo
Fibras do cansaço

Rio, não sei se você vai me entender
Mas o melhor de ti, está por se desvelar
Já existe, sufocado, quase morto sem ar
Afoga Rio, teus filhos imundos no teu mar

Afaga no peito, a soma
De teus excluídos
Que ruma obediente
E que insiste em te amar

(Teo Petri)
09/10/09

5 de outubro de 2009

Fazendo Nada

O poeta tem que ser solto
Tem que desgovernar pensamentos
O poeta tem que ser livre
Tem que desdizer o posto dito

O poeta tem que soltar os cães
Tem que multiplicar vãos tormentos
O poeta tem que confundir argumentos
Tem que amar e desamar

O poeta tem que se perder em fragmentos
Tem que engolir sentimentos

O poeta tem que escrever pra não ser lido
Tem que negar tudo que digo

O poeta tem que se acabar e acabar-se em si
Ou fazendo nada ou algo bonito


(Teo Petri)
03/03/2009

3 de outubro de 2009

Animalzinho Errante

Vou me limitar a rastejar pelas ruas
A encontrar, sem medo, dicotomias tuas
Vou preservar meu tempo, ilusão maior meu momento
E gastar esforços para o que não vou ser

A quem quer que seja
Que me leia ou que me veja
To esperando um canto
Mas talvez não esteja vivo, nem seja humano, quem o diga, santo

E pois como estou, apático, inapto
Sinto que vomito por dentro de mim mesmo
Quero colo de irmã, e te ver nos sons de Amsterdã
Vou-me embora,mas fica você, aqui e agora

Vou indo, despedida não demora
Me espera anjo tão mais mortal, de uma outra pátria
Quero ir sozinho, sem destino, sem vanglória
Ir, pois há qualquer submundo que me espere

Travado, Outubro deflagra, meu cerne
Nove meses para que eu renasça em ventre próprio
Quero morrer de amor ou frio, vou e me crio
Mas não fico, para te ver de novo, em espelhos e reflexos

Estarei completo, entre abutres e lixos diversos
Não quero, seu mundo eu não quero
Daqui já vou indo, um tipo de animalzinho errante
Que só quer engolir o mundo e ver o tem adiante


(Teo Petri)
01/10/09

20 de setembro de 2009

Se Prepara

Não há melhor momento para uma notícia do que
O quanto mais perto ela estiver de seu acontecimento
E se quando ela aparece, de uma bruma, assim que amanhece
É um corte profundo, temos um problema em Abril, o ano de 64 já não vai nada bem
Acontece... é meio que um não pensar, surgiu o dia, o Brasil estremece

Vida transformada assim, o todo fica encolhidinho
As músicas sublimadas, engessadas na brancura suja da caverna
Complicadas parar virarem hinos, e os hinos nas marchas-camadaras
Se olham, velho e filho, com realidades unificadas.
Tantos voos pra fora do país, e nenhum nos levaram

Dona da verdade, fixa desconstrução da liberdade
AI-5 de meu Deus, numa cabeça cansada demais
Do sol que é demais cascaudo nas terras desse agreste
Um bloco de mármore flutua sobre o povo
E andam contorsendo-se pela culpa alheia e mútua

Mas é de causar espanto, debaixo de chuva grossa, desse pranto
Somos nós povo que se veste, foge, urra, se esquece
Fevereiro tomamos de volta toda música e rua que coubesse
A máquina dos generais, lá por trás, planaltos acima
Finge que nos conhece

E como nunca, de um jeito estranho, mudo, surdo, seu povo Brasil
Faz de encontros abraços, há anjos e loucos nas ruas
Os grã-finos se beijam, o povo do morro desce
Com sal nos corpos, riem, sorriem, se curvam, reamanhece...
Não se usa estresse, o sambódromo que ainda vai existir

E os novos baianos saem da tese, reverberam carnaval
Misturam-se qual som que se preze
Fazia o mesmo calor de hoje em dia
Mas aquela foi a velada abstração que podíamos
No inignorável grito de tua lágrima que desce

Esse amor, coisa que não se explica, suas cores auri-verdes
Que a tantos simboliza
Ali guardou momentos cinzento de evasiva paz
Em domínios delicados por demais, sob duras penas
Arrastou pra euforia tal moça e qual rapaz

Se largaram na folia, envoltos de amnésia-fantasia
Libertária primazia, acordaram sem chão
Na quarta-feira de cinzas e azia
O ano começa no jargão, retomemos ao trabalho
Segue escravo o Brasil diário

Liberto na música, prisioneiro involuntário
Socorro pede o maquinista ferroviário
Ajuda, suplica o motorista, eu boia-fria virei um coitado
Minha história se confundiu na grande cidade
No pequeno país que somos, individual ingenuidade

Em pandeiros se subverteu o estabelecimento
Do regime, ou se diria, daquele crime
Que agora ninguém cometeu, mas que em sua época
Era líder e se faziam reverências
Minha mãe e pai viveram isso, e por isso

Eu cuspo no seu parágrafo de palavras vazias
Brasil que ainda hoje
Que ainda dorme!
Acorda e se levanta
Para a vida!

Leva seu filho e filha
Pra escola
E se prepara
Para entrar
Na avenida!


(Teo Petri)
18/9/9

5 de setembro de 2009

Bárbara

Quero te dar
Um segredo embrulhado
Um sentimento
Que nasceu perdido

Que vi em seus olhos
Uma beleza sem fim
De menina feliz
De uma luz que é linda e inalcançável

De uma dor que doi dentro
Intocável como a voz em sua boca

Desenhada com alegrias e cores eternas
Sorriso perfeito
Meu azar querer olhar tão de perto
Se me atrevo a tanto agora

É por saber que
Por beleza e delicadeza igual
Seria inútil esperar
E pensar que nem imaginas que te adimiro

Tanto que me cansei de ter um segredo guardado
Que de nada serve na estante

Se te fizer feliz pelo dia de hoje
E você entender
Que és estrela única
De toda uma noite

Poderia passar toda aquela noite
Escutando você falar
Poderia passar todas noites
Que quiser passar

O que há num segredo que quieto nos atormenta a falar
Mesmo sabendo que é loucura vou te contar

Precisaria de todas palavras pra te descrever
Que linda... toda suja de areia
E só isso
Me faz sentire perdido

E se te desejei
Sabendo que não podia
Não posso te pedir
Mas posso te esperar

Se esse segredo você puder guardar
Só um beijo seria suficiente pra te dizer

O que com minha própria boca
Não tive coragem de lhe falar
A verdade
É que vou tentar dizer o indizível

Um segredo que não deveria ser lido
A luz nos olhos
E no sorriso
Foi algo demais

Mas não sorria agora, isso é um pequeno segredo
Eu só queria te olhar mais de perto, muito mais

Mas deixe o mundo como está...

9 de agosto de 2009

O A S I S

Sem partido, sem abrigo, sem um chão, só um sonho
De onde começamos, da virtualidade de onde não estamos
Sem limites ou países, sem bandeiras ou matrizes
Só nosso peito aberto para abraços e convites
Oasis não é ONG, não é dó, nem piedade
É abraços e amor imensurado
São crianças, mulheres e esses loucos
Que parecem cegos e surdos aos avisos dos que não nos conhecem
Do pessimismo, fatalismo, assistencialismo de si mesmo
Algo novo, que rompe, que sonha, que vai no belo que se esconde
Que bem trata a sua vergonha, e com ela some
A espera no antes
A espera no quase
A vertigem no se
A origem de um oasis
O Brasil, essa completa "miscigenagem"
Acaba que distancia seus filhos
Uma robusta nação que não se sabe
E agora nesse choque, mão no rosto, esse toque
Ruas de pequeninas cidades, gente acanhada, sonha escondidinho
Mas no que ouve esse repique, que jogamos pro ar
Foge do seu medo de buscar, começa a se juntar
A compreender onde podem chegar
É puro cada olhar, comunitaria abstração do não vai dar
Correm doidos pro alcançar, e abraçam forte, forte depois de dançar
Calor humano esquecido, varrido, caco moído, mas não aqui, não agora
Pois disso já me cansei, não aceitamos o nada sei
Soberanos de si mesmos, povo que também é rei
Lagrima feliz, bagagem de aprendiz, bicho solto por toda vida
Gosto bom de toda cicatriz
Alma leve, estadia breve, amigos que nunca mais verei
Mais raros que ouro, que nuvem, que neve
Crianças multiplas, irradiando absurdos
São os seres menos confusos, esperando futuro que os leve
Oasis me ensinou, antes de me ensinar
Oasis replantou, antes de replantar
Oasis voou, sem asas, pelo mundo
Que vai começar.


Teo Petri
26/07/09

17 de julho de 2009

Perigo de Morte

"Tranquilo... Tranquilo... !"
Pensava ele, recostado, sentado de costas pra direção que o trem se dirigia.
"Foi tudo tranquilo!"
Sua cabeça levemente afixionada em um ponto estático
envidraçado pelo reflexo da paisagem, inteira urbana, daquela cidade.
Ele suava frio, estava no Rio há três meses, assaltando corações de Marias, se vingando pra viver,confuso, agora excuso seu batimento começaria a desacelerar dali a 40 segundos...
Mas por enquanto, fixo na vida que vivia, sem supôr premedita-la, e era aquela a imagem de, alinhados que estavam, seu rosto quase pasmo, quase morto, a grande janela do trem e lá fora o mundo... as capoeiras em que nos metemos.
O vento lhe vinha por trás da nuca e da orelha, e ele dali irradiava seu pensamento para um desfecho, talvez com nojo, ora tão patético quão poético pudesse ele ser. Mas era a surpresa de, ainda, estar vivo pra se viver, tentar, e no se... achar.
Era isso que dizia-lhe aquele vento.
E era só um o seu pensamento, evocado feito mantra.
De sorriso furto ele ia...
"Tranquilo... tudo tranquilo!"
Abismado, em ter fugido da morte e de um amor tendo se apaixonado, tudo numa mesma coisa.
Lhe cerram os olhos, raio forte, que defronte nascia
o sol a norte. Noites inacreditáveis, irremediáveis
"Brasil tranquilo... valha-me a sorte!"




Teo Petri
16-07-2009

9 de julho de 2009

Não Amo Ninguém

Não amo ninguém
Parece incrível
Não amo ninguém
E é só amor... que eu respiro

É noite, já é quase Uma. "Não amo ninguém!" ...e não esqueço disso
Não amo ninguém, toda hora eu repito!
Não só isso, mas também "É só amor que eu respiro!" Não me tiro disso. Não consigo.
Como é que é. isso tá chato, não some. Pior que fome
"É só amor que eu respiro" ...esse até que demorou, acho que tô me distraindo
E é quando eu sou traído: ...é só o amor que eu respiro!
Respiro do verbo respirar, de respirava... Res... pirar
Como Res... pública! Res... Pirar! Digo isso enquanto respiro
É o quanto eu respiro... o que tiro do ar; é o ar que eu respiro
E é amor o que eu respiro... amor que eu respiro
É só amor que eu respiro, e não amo ninguém
Parece incrível, não amar ninguém com o amor que eu respiro
Seria incrível, respirar com alguém o amor que eu sinto
De amores que se respiram, de amor... um desses incrível!
Amor crível de que
Incrível é o amor



Teo Petri
(Inspirado na música "Não Amo Ninguém" de Cazuza)
09/07/09

1 de julho de 2009

O Palco

Perguntaria ao dia qual flor seria a minha
Perguntaria a essa noite o que pra mim melhor seria
Se ventos mais fortes nos levariam

O sol continua a brilhar
Apesar de tanta barbaridade
A minha realidade
Que é ultra e nem me espanta
Vai deixar saudade

Sexta-feira é dia de ser gente grande
Sábado de ser gigante
Pra Domingo cair em sono no seu colo
Em sonhos com minha princesa infante

Nascemos bonitos
Crescemos adorados
Agora somos mais do que amados
Pra desgosto dos recalcados

Que igreja é essa?
Que empresa é essa?
Que imprensa é essa?

Pecaram
Quebraram
Mentiram

E não me chamaram


(t&o p.)

19 de junho de 2009

DA SPFW

Moda, que molda, que muda
Que manda, que suga
Que trança, que traça, pura farça

Moda que é força, pensamento e escolha
Ainda que pouca
Seja a franja

Que tange e tinge
Meninos de Brasil
E moças de França




(t&o p&tri)

13 de junho de 2009

Sigo cansado de você

Quem é você que não tem ego
Este anjo deletério, que voa cego
Feito jasmim de cemitério
Quem é você que não assume seus erros
Que busca alguém perfeito e não compra seu lado feio
Que derrama lágrimas e leite materno
Como o plástico santo de presépio

Você que ainda não entendeu
Que nunca houve ou há de haver guerra que valeu
Que temeroso à madrugada não vê nascer os raios dourados n'água
Você que faz parte de tudo, de todas provas de cobaias brasileiras
Todas comportadas, criadas entre filas e catracas

Não protestam, não contestam
Não se testam e não provam o sabor único
De ser um pequeno grão errante
Na vida que se tange


(teo petri)

27 de maio de 2009

Realeza marginal

Mendiga minha, tão feinha
Pensava ele sem dente

Rainha minha, tão certinha
Pensava o rei, sem mente

Ouro meu, tão... tão meu
Pensava o Papa doente

Verso em fluxo, tão não meu
Pensava o poeta, ausente

Toda esposa que ser puta queria
Toda puta que para ser esposa peça

No meu olho, o ouro em agouro
No outro, não meço o verso

Sou completo no mendigo que sou e no rei que desconverso


(Teo Petri)

13 de maio de 2009

Por falar de amor onde está você II

Por falar de amor onde está você
No vento de uma flecha
Numa vida curta, luz estreita, de uma brecha
Meu coração que bate seco, posto seu último beijo, em minha testa

Mas já agora ano novo, me vejo envolto
De um sonho novo, mergulho surdo e corro louco
Bandeira branca, faço da paz um pouco

Atomico descaminhar, é lento sufoco
De uma humanidade do sem pensar
Do te quero morto

De poderes que condizem, e que não me envolvo
Me crio solto
Mas tomo soco, buscara sol e uma amada, tanto e tão pouco

Não há comédia ou diálogo, se o mar, revolto
Meu Brasil é Espanha nos museus, e Jamaica sem almoço
Somos casas entre árvores. mas sem reboco

Somos músicas copiadas, altas, tanto que nem ouço
Somos narizes finos, estéticos, e dedos magros, no osso
Somos de outro dia, na chuva criados, fodidos
Somos pintura sem esboço

Somos Lampião e Zumbi, somos Zé do Caroço
Somos romance, menos chic que o tango argentino, somos o fundo do poço
Somos meninas nas estradas, vendidas por um troco
Somos Ney, Cazuza e Renato Russo, bichas assumidas, anjos roucos

Somos a mídia fingidinha, somos normalzinho, povo escroto
Somos o transtorno, caos urbano, religiões de consolo
Somos bostas, vivemos de costas, cheios de não pode
Cheios de não mostra

E seguimos sem pincéis, amordaçados
Somos atores sem papeis
Somos o trigo que não vira pão
Somos o senado, a política, o caveirão

Somos exóticos seres dos trópicos
Somos o País Ipanema
Somos Yemanjá For Export
Somos a bunda e o seio de Iracema

Somos um pouquinho de cada curva do mundo
Somos um bebê lindo, somos a dama e milhões de vagabundos
Somos rendidos, somos arrependidos
Não somos americanos, não fomos o povo escolhido

Não somos o primo ariano, não somos a prima Uganda
Somos corte, somos sorte

Somos Pindorama
Somos esse amor forte

Somos quem esquece de amar
E somos

Quem nos ama
No ainda, antes, e além... da morte


(Teo Petri)

13 de fevereiro de 2009

O Barco

No meu barco
Desenho um arco
Há uma preguiça fina
Nesse vento fraco

Os desenhos se fundem
E pensamentos eclodem
Dois versos e um risco, se movem
Me seco no salto intrépido das nuvens

E cada imagem que forma um rastro
Me guia marejado, e da popa que fiz, já vem um mastro
De uma bolha de meus sonhos surge cativa
Você, cabelos no vento, simples alteza, formosa bandida

Destrói tudo que criei
O verso engasga
A aquarela, tão bela vela, se rasga
Por ti foi o mundo, e já nada sei

Meu barco afunda
Num minuto minha vista inunda
Foi-se o amor nas cínicas águas turvas
No fundo do mar encontra-se meu barco

Um baú que vive aberto
Cheio de água, só que vazio de coisa alguma
É vácuo, no máximo casca
E sinto um calor, que no peito retumba



(Teo Petri) 23/11/08