29 de maio de 2009

SEJA UM

Inseraja para se interir.


JOE

É na minha con-fusão,
que eu me a-rumo.


JOE

VIDA

A vida as vezes murcha,as vezes incha
A vida as vezes agiganta outras vezes apouca.
Uma hora melindra outra regozija
A vida quer que a gente faça poesia.


JOE
Não sou de provas,sou de prosa.
Então me prose.


JOE

SEMIVENTOS E APETITES

Depois de tanto viver,
sedento de respostas e vontades
Me conforto com as manhãs trivias da rotina
sorrindo por ainda estar aqui.
Me vou,em companhia de amiúdes acasos
fazendo resurgir casos,que me escrevem respostas a toas.
Depois te tanto morrer,
esfomeado por viver
me vou embebido de semiventos e apetites
carregando na alma o peso de sempre querer viver mais
mesmo as vezes desejando morrer mais...
para que assim eu possa renascer mais vivo!


JOE

LEVADA LIVRE E LAVADA

Eu sempre levei a vida de forma levada.Levava sem levar nada...levado.Levei horas para me dar conta de coisas.Contava aos cantos que as horas que levei não contavam nada.Levitava...E evitava a fricção entre o devaneio que eu levava e a verdade que eu evitava.Quando me livrei,deixei a levada se levar e eu não mais me levava, eu me acompanhava. Fazendo de mim levado dessa livre levada.Ainda bem que hoje, eu levo a vida lavada.


JOE

Joe

Vambora fazer barulhoooooooooooooooooooooooooooo

27 de maio de 2009

Realeza marginal

Mendiga minha, tão feinha
Pensava ele sem dente

Rainha minha, tão certinha
Pensava o rei, sem mente

Ouro meu, tão... tão meu
Pensava o Papa doente

Verso em fluxo, tão não meu
Pensava o poeta, ausente

Toda esposa que ser puta queria
Toda puta que para ser esposa peça

No meu olho, o ouro em agouro
No outro, não meço o verso

Sou completo no mendigo que sou e no rei que desconverso


(Teo Petri)

23 de maio de 2009

Solidão

Ando triste, e ando
Sem entender toda
Essa tristeza

Amontoando cinzas
De cigarro pela mesa...

Minha boca de
Cidadão arrependido,
Já não beija nem come.

Ando tão perdido,
Não me conheço ou
Reconheço o meu nome.

A vida não me abre
Tantos sorrisos, os dias
Demoram a passar.

Espero pela morte.
Vivo destas rupturas
Psicológicas initerruptas.

Como disse.
Nada sei. E... Somente.


(Vicente Kresiak)

17 de maio de 2009

4,50

Subiram
O preço do
Cigarro

Pr'eu morrer...

Pagando
Ainda mais
Caro.

Caro...

Caro pra
caralho!


(Vicente Kresiak)

15 de maio de 2009

Nicotina

Fumava como se
Nunca mais fosse
Acender um cigarro.

A noite...
Já não lhe oferecia
A mesma companhia.

À morte e aos
Tragos se limitava.

Enquanto a vida
De suas mãos fugia...


E fugia... Fugia...



(Vicente Kresiak)

13 de maio de 2009

Por falar de amor onde está você II

Por falar de amor onde está você
No vento de uma flecha
Numa vida curta, luz estreita, de uma brecha
Meu coração que bate seco, posto seu último beijo, em minha testa

Mas já agora ano novo, me vejo envolto
De um sonho novo, mergulho surdo e corro louco
Bandeira branca, faço da paz um pouco

Atomico descaminhar, é lento sufoco
De uma humanidade do sem pensar
Do te quero morto

De poderes que condizem, e que não me envolvo
Me crio solto
Mas tomo soco, buscara sol e uma amada, tanto e tão pouco

Não há comédia ou diálogo, se o mar, revolto
Meu Brasil é Espanha nos museus, e Jamaica sem almoço
Somos casas entre árvores. mas sem reboco

Somos músicas copiadas, altas, tanto que nem ouço
Somos narizes finos, estéticos, e dedos magros, no osso
Somos de outro dia, na chuva criados, fodidos
Somos pintura sem esboço

Somos Lampião e Zumbi, somos Zé do Caroço
Somos romance, menos chic que o tango argentino, somos o fundo do poço
Somos meninas nas estradas, vendidas por um troco
Somos Ney, Cazuza e Renato Russo, bichas assumidas, anjos roucos

Somos a mídia fingidinha, somos normalzinho, povo escroto
Somos o transtorno, caos urbano, religiões de consolo
Somos bostas, vivemos de costas, cheios de não pode
Cheios de não mostra

E seguimos sem pincéis, amordaçados
Somos atores sem papeis
Somos o trigo que não vira pão
Somos o senado, a política, o caveirão

Somos exóticos seres dos trópicos
Somos o País Ipanema
Somos Yemanjá For Export
Somos a bunda e o seio de Iracema

Somos um pouquinho de cada curva do mundo
Somos um bebê lindo, somos a dama e milhões de vagabundos
Somos rendidos, somos arrependidos
Não somos americanos, não fomos o povo escolhido

Não somos o primo ariano, não somos a prima Uganda
Somos corte, somos sorte

Somos Pindorama
Somos esse amor forte

Somos quem esquece de amar
E somos

Quem nos ama
No ainda, antes, e além... da morte


(Teo Petri)

25 de abril de 2009

Arrivée

Meu amor veio
Chegando devagar
Olhando-me de lado

Feito valsa
Em dias de chuva.

Seus braços,
Bastante ocupados,
Mal puderam abraçar

Mas a espera, havia
Finalmente acabado...


(Vicente Kresiak)

24 de fevereiro de 2009

Munich

Partira de ti, o sopro
Que fizera-me tremer...
Sensação única de ser.

Ser e estar vivo.
Vivo contando os dias,
Para poder tê-la aqui
Comigo.

Tu deverias saber,
Meu amor, que sinto
Por ti algo muito maior...

Que o frio na barriga
Do ver-te pela primeira vez.


(Vicente Kresiak)

13 de fevereiro de 2009

O Barco

No meu barco
Desenho um arco
Há uma preguiça fina
Nesse vento fraco

Os desenhos se fundem
E pensamentos eclodem
Dois versos e um risco, se movem
Me seco no salto intrépido das nuvens

E cada imagem que forma um rastro
Me guia marejado, e da popa que fiz, já vem um mastro
De uma bolha de meus sonhos surge cativa
Você, cabelos no vento, simples alteza, formosa bandida

Destrói tudo que criei
O verso engasga
A aquarela, tão bela vela, se rasga
Por ti foi o mundo, e já nada sei

Meu barco afunda
Num minuto minha vista inunda
Foi-se o amor nas cínicas águas turvas
No fundo do mar encontra-se meu barco

Um baú que vive aberto
Cheio de água, só que vazio de coisa alguma
É vácuo, no máximo casca
E sinto um calor, que no peito retumba



(Teo Petri) 23/11/08

Por Falar De Amor, Onde Está Você

Por falar de amor, onde está você
Toda doce, gracinha, onde está você
Falar de amor, falo, mas olho mais, mais pra te ver

Nunca foi, nunca fui, mas tenho o tempo pra prever
Amor em folhas, amor em esperança, em criança
Amor ao boi, amor que flui, amor yo soy, amor seduz
Amar em par, amar no bar, amar e não estudar, ah mar...

Amar nos dói
Amar constrói
Amar em solidão, em paixão platônica
Amar bossa nova, samba, mpb e eletrônica

Falo aos poucos, um pouco de tudo
Mas é quando eu falo o quanto amo
Que entendo quanto amor possuo
E se me gosto e me assusto

Em ti me posto e protejo as guardas tuas
E todo carinho que à esta ninfa esmero
Se fará sentir, amor, contração maior e arrepio
Divisão de tudo na vida em sua função

Falar em amor, já falei
Amor é que se diga, mas o belo é que se faça
Amo e pergunto, amo e te peço, para mim

Eu te quero, amor não nego
To perto, do absoluto
Amor completo

Acordei amando
E amando te achei
Mas alguma coisa acontece
E meu coração surta, desobedece

Fica louco, faz qualquer jogo
E numa dessas noites você aparece
Toda leve, ainda não me conhece
Rainha da colônia da minha espécie

Ama nua, de flor em flor
Elogios e loucuras
Mais as noites de verão

As quais são tortas, como portas, como notas
Ou derrotas
E a memória

Essa senhora da história
Em recaídas ou em glórias
Mas em ti eu vi, minha maior vitória

Estranhos, em flagrantes rebanhos
Pelos cantos se aglomerando
Não compõe imagem, não agem, alguma outra viagem

Rebelar-se-á

E uma cachoeira de emoções já terá percorrido nosso mundo
No momento após em que algum de nós, calar
Desse amor pelo qual fico dias sem falar
E que já falo sem poder explicar



(Teo Petri) 25/01/09

Beijo Anti-beijo

Declaro
Sou gago
Tenho vícios
E tendo a libertínios

Jogo sujo, sem banho durmo
Odeio meio mundo
Não rio, detesto
Me quero rotundo

Aos 20, convícto de que não presto
Resolvi temer a mim
Duelo em que me fecho
Dos climas, já nada honestos

Dos cinzas, das trincas, das lamas, não camas
Dos quase dramas
Pois já não servi, já "não" o antes "sim"
Frente em que não há espectro

Calada convulção convexa
Trema problema, anexa
Me assopra tormentos metálicos
Me envelopa destinos diários

Me capota aos comprimidos ótarios
Minha pupila de olhos secundários
Meu gosto e cheiro, meu espelho
Sou em cheio um erro feio

E o que trago de pior em segredo
É pois tentar, quando ao sorrir
Não te ver, de sempre fingir não notar
E tudo piora quando então supões me olhar

E da infância ela vai rir ao lembrar
Algo que tentamos
Mas não conseguimos...
O anti-beijo


(Teo Petri) 14/01/09

10 de fevereiro de 2009

Pausa

A little break.

Rotornaremos quando a chuva passar.


(blogueiros)

Tempo (!?)

Quanto
Tempo eu tenho?

Tempo, tenho (!?)
O tempo não me
Pertence, enfim...

Tempo, tempo.

Venho
Eu contabilizando.

O iníco jaz no passado,
E o fim se aproximando


(Vicente Kresiak)

17 de dezembro de 2008

Noite de Cobre

Desde a noite que me cobre
Negra como um insondável abismo
Agradeço aos Deuses, se existem
Por minha alma invicta
Caído nas garras da circunstância
Não pestanejei, nem chorei alto
Sob os golpes do destino
Minha cabeça sangra, mas não se curva

Além deste lugar de lágrimas e ira
Jazem os horrores da sombra
E, contudo, a ameaça dos anos
Me encontra e me encontrará sem medo
Não importa quão estreito o caminho
Ou quão carregada de castigo a sentença
Sou o senhor do meu destino
Sou o capitão da minha alma


(Teo Petri)

26 de novembro de 2008

Passion

Sinto o seu perfume
Adentrando o quarto.
Semi-breu. Iluminado
Pela luz da madrugada...



(Vicente Kresiak)

Passion 2

E beijo a sua boca,
Seu corpo, e brinco
Com os teus cabelos.

E então eu percebo,
Que não preciso de
Absolutamente mais nada...



(Vicente Kresiak)

[manhã]

A manhã chega,
Toda sorrateira.

Despertando
E me lembrando

Que não dá
Para dar bobeira...



(Vicente Kresiak)

[tarde]

A tarde chega,
Assim, solitária.

Oferecendo
Sua companhia...

Sua alegria, até
Findar o meu dia.



(Vicente Kresiak)

[noite]

A noite chega,
Bem de manso.

Trazendo a mim
Todo o descanso...

De que preciso
Para poder seguir.



(Vicente Kresiak)

[madrugada]

A madrugada
Chega de repente.

Consertando
Os erros d'a gente.

Nos sonhos,
Tudo se resolve...



(Vicente Kresiak)

Pesadelo

O pior pesadelo
É despertar ainda
Pobre e sem algum
Sinal de melhoras...

E ele já buscou
Por diversas vezes,
Algum trocado nos
Seus bolsos fundos...

Furados. Que furada...

O pior pesadelo
Ainda é despertar
Sem trocado nenhum.

Em plena madrugada...

E assim perceber
Que amanhã não será
Como pudera ser outrora...

E talvez, se lhe for
Assim concebida, sua
Tão destemida vontade...

Amanhã, não haverá amanhã.


(Vicente Kresiak)

Vagabunda

Posso bancar tua cerveja,
Brincar com teus cabelos,
Mas não pagar o seu sexo.

Sexo frágil, amedrontado.
Diante da simples perspectiva,
De perder alguns bons trocados...

E se tu pensas que eu sou quem
Eu sou, então nada sabes de mim.


(Vicente Kresiak)

15 de novembro de 2008

Onde se esconde

Não há nada nessas ruas neste exato momento
Nem há nada pelos campos e praças
Nada nos casacos, nada nos teatros

Umas rápidas imagens, nessas telas-bobagens
Há um mundo de ferragens, e um mundo das paisagens

E cada naufrágio faz um recomeço
É como na infância acreditar no desejo
Sem saber que se pode errar
E sem mágicas ou regras pra vida

Mas...

Quando é meia-noite, bate em mim meio-dia
Eu acordo em meio a multidões nas tardes
E já não vejo onde se esconde
Maldita arte, covarde


(Teo Petri)

Vazio

Leve sua cara embora, seus olhos e memórias
Já que nada em todo seu vazio me rodeia
E nem quero seus enganos, seus falsos planos
Ñão te quero inteira, nem uma parte e nem mesmo meia


(Teo Petri)

Dos Sonhos

Quando a Porta que se fecha
E o quarto no seu azul noturno
Fazem noitinha o brilho da manhã vagabunda
È o que me sobra de meus sonhos
Sem perfume


(Teo Petri)

12 de novembro de 2008

Dias Depois Que Ele Voôu

Mas que o coração se recupera
Disso eu não duvido
Vão ser só mais voltas, por essas ruas e outras porvir
Até achar a mentira certa

Doeu enquanto eras mais idealizada do que real
Agora recupero o ar, espero...
E o que quero?
Quero você nos meus antigos lugares

Planos secretos em amores repletos
Ou eternos dejetos de nossos aspectos
Insetos, famélicos que me percorrem nos dias seguidos
Que já não tenho mais fome

Você só vai entender tarde demais
Que o amor passou
Te deixou um flor
E depois...


Voôu



(Teo Petri)

GLF III

Agora já não sei mais o que faço
Como tudo mudou, como você me mudou
Isso não é modo de se aparecer na vida de alguém
Chegar tomando conta de tudo, sendo dona do mundo

Sem me deixar poder escolher
Como é difícil entender
Que é em você que hoje eu existo
Que quero o melhor pra sua vida

Que te adorei
E que não vou desistir
Isso tudo foi um presente
E que agora nada volta pra trás

Que eu não esperava alguém como você
Mas você foi tudo de mais irresistível que Deus já fez
Nada me tira a idéia de ser minha
Como é bom te ter nos meu braços


(Teo Petri)

G.L.F. II

Perco a fome, perco peso
E estou sem nome
Vou pra rua, busco sobra sua
Resto de olhares para Lua

E o que não vejo
E o que não são beijos
Sobram na culpa
Do meu desejo

E eu ainda encontro tempo de me evitar
Ser tão seu, imperfeita realidade
Tal hipnótica excentricidade
Rasgo páginas com outros versos e fujo...

Te quero como num sonho
E encho de fantasia o nosso amor
Fruto
Da mais linda amizade


(Teo Petri)

11 de novembro de 2008

A Última

Entregue ao lamento, da solidão e saudade, ele enfrenta sua rotina diária, de copos e mais copos de uísque madrugada adentro, remoendo em sua memória a lembrança da mulher amada, que o deixara.
Cansado desta situação, bebe outra dose e se desloca a uma boate, decadente, suja, repleta de prostitutas, algo muito próximo à sua condição. Chegando ao local, logo conhece Natália, uma mulher tão solitária quanto ele, cansada do marido, buscando diversão. Ele não sabe se ela é realmente bonita, ou se é apenas efeito do álcool, mas ignora tal dúvida e a convida para dar uma volta.
No carro, ele se excita com a possibilidade de “libertação”, chega de decadência. Mal estaciona e ela avança, com toda sua experiência de mulher madura, mas a lembrança não vai embora. O som do carro, da cidade, o som da mulher, plena de vontade, vão lhe deixando confuso, e cada vez mais atormentado.
Ele busca por algo no porta-luvas, e então são três disparos, três lapsos desesperados, na tentativa de conter de uma vez por todas a angústia que não lhe aquietava a alma. Pior para a mulher, pobre coitada, estirada no banco do carro.
Uma volta, e de volta à sua casa, “dane-se”, e se deixa levar por outra dose, A ÚLTIMA, desta vez para esquecer a noite.


(Vicente Kresiak)

5 de novembro de 2008

Changes

Foi-se embora aquele
Amor, aquela vontade
Inesgotável de aprender.

Para dar lugar à loucura
Do procurar sobreviver...


(Vicente Kresiak)

Changes II

Os anos vão passando,
Me aproximando do ar.
E já não existe ninguém
A quem eu possa culpar...

São sintomas da perda,
Da perda da pureza, da
Perda da beleza, intocável.


(Vicente Kresiak)

Changes III

Sinto que estou mudando,
Que o tempo vai passando,
E que jamais serei o mesmo.

Minha beleza parece fugir,
Se esconder, defronte o espelho.


(Vicente Kresiak)

Pobre.

Lato peito,
Da esperança.

Da latrina,
É marginal
A dor que dói.

No peito,
Agora estreito,
De quem se cansa.


(Vicente Kresiak)

Autarquia

Desta tua autarquia,
Fez-se tua vida vazia...

Em poucos meses
Perdeste teu brilho,
Teu límpido sorriso,
Perdeste tua gana, teu brio.

Desta tua autarquia,
Fizeste da vida, um imenso vazio.


(Vicente Kresiak)

Pulmões

Eu vivo a vida,
Ferida eterna,
Do ser e existir.

Das lágrimas a
Correr e do sorrir,
Sustento da alma...

Alma alegórica, a
Cantar alegremente

O pulsar do sangue
Que corre nas veias,
E do ar, a contemplar

Meus pulmões, eufóricos...


(Vicente Kresiak)

31 de outubro de 2008

Acreditar.

(É preciso, é precioso...)

Não tenho medo, pois
Ele é tudo o que eu tenho.

Não tenho segredos, pois
Ele é tudo o que eu desejo.

E à vista destas certezas,
Não tenho dúvida alguma.

Incerto é o futuro daquele
Que simplesmente não crê...

E acredite, o amor está próximo.


(Vicente Kresiak)

30 de outubro de 2008

G.L.F.

Saudade, que é o sentimento que invade
Vaidade, de saber e morrer mas não te dar a verdade
Toda vontade, que ao te ver vira necessidade
E te ter, se resume a dias, e dias presos a esta cidade
Outro amor impossível, com prazo de validade
Outra cor na minha vida, a sua
Minha felicidade


(Teo Petri)

28 de outubro de 2008

Terra Mãe

Um mundo onde não haja distinção
De cores, credos, seja lá o que for
Onde as manhãs sejam irradiantes
E todos sigam a lei única, do Amor

Onde os cantos sejam apreciados
Escritos pelos Anjos do Alvorecer
E que sejam sinceros seus versos
Para que todos neles possam crer

E que sigam imaculadas as águas
Perenes fontes, criadoras da Vida
Que imantam a própria Existência,
Nelas dentre rios ou dentre mares

E que pairem os Guardiões do Ar
A flutuar junto à eterna imensidão
Alcem vôo, alcancem a eternidade
Ao infinito e de volta, Nobres Ares

Reino onde prevaleçam os Justos
Que Justiça contemple significado
E soberana, ante qualquer pecado
Coexistindo então Leão e Raposa

Que cresçam Árvores, sem pesar
Engendrando frutos de sabedoria
Da terra, ver Germinar cada grão
Cada humano, uma gota d'oceano.


(Vicente Kresiak)

Dura Vida

Chega a noite,
Ele está morto,
O trabalho é duro.

A casa parece
Não o reconhecer,
A semana foi dura.

Ajeita um copo
Em sua mão vazia
E escolhe a garrafa

Sabe que não é
A melhor parceria,
Mas é, sua única...

E então ele esquece.
E morto, amanhece...


(Vicente Kresiak)

26 de outubro de 2008

Geração Perdida ou Back To Belíndia

Estou pronto para vômitos de ódio
Para beijos e lágrimas de amor puro. O bom.
Estou na fronteira da vida com o vidro
Fechados dentro de seus carros e apartamentos
De suas bolhas de bába
Estou no limite para me deixar ser levado

O Brasil não é o país do blues, nem o país da piedade, por isso continuaremos a nascer sem saber amar e com essas caras de abortados. Continuaremos a morrer caretas e covardes. A burrice de continuarmos a ser assim individualistas. A burrice de se achar que pode limitar a arte. Não só procuro estar à frente como procuro estar contra o público burguês. Conformistas , vocês não são nem medíocres. Vocês são pálisods e desnutridos de vida. A Globo não passa nem perto de lhes oferecer arte. Nem tampouco senso crítico. O que é a juventude idiotizada pelas telenovelas? São repetições uns dos outros, que no cûmulo do consumismo pensam estar se diferenciando consumindo marcas e grifes. A diferenciação que não encontram em outros lugares e momentos de suas vidas. São descontadas nos consumos de símbolos. São os playbos bacanas , as vedetes super maquiadas. Exibem seu lado mais triste nas brigas nas noites e nos discurssos reacionários e preconceituosos, foram ensinados a repetir, sem saber do que estão falando. Aprendem a sentirem culpa no sexo. Mas não há problema na falsidade e na falta de educação cotidiana nas relações com os semelhantes. Somos o país da bunda mas ficamos ofendidos com a afirmação desse fato. Não nos assumimos como latinos, como cidadãos de terceiro mundo. Somos a classe-média branca. Que tem horror aos pobres, aos suburbanos, aos nordestinos. O preconceito está na nossa cara. Quem é que não vê?

Não sei a que ou a quem seja minha crítica exatamente. Talvez porque saiba que a causa seja de muitos (ir)responsáveis. O Brasil perdeu vozes críticas. Artistas que questionavam os rumos até o final do século passado. Mas agora vemos rumos sombrios a começar pelo aquecimento planetário. Talvez eu esteja pensando na geração inteira. Geração de desperdícios. Geração desperdiçada. Os retrocessos são aplaudidos pela mídia marrom. As universidades estão cheias de clientes e não de alunos. Mais uma infeliz privatização. O sistema é patético. E mais pateticos são os que acreditam nele. Ou você é beneficiado ou está sempre buscando ser. A disputa é o ponto central. Todos contra todos.

Todos contra todos.


(Teo Petri)

21 de outubro de 2008

O Uivo à Pátria Amada

Roda gigante me sinto girar
Cubo mágico exato decifrar
Atmosfera paraíso, hiperlúdico carnaval
Eldorado luxo turvo, vítima de lixo come telejornal

Brasil, brasil, Brasil
País de onde nunca saí
Verde o qual amarelo nunca azul compreendi

Amo, amo, Amo
Com sangue e o ódio
E com ciúme e com o amor

Nação de sublime descúido
Igarapés secretos, cuícas, tamborins e reco-recos
E todo sol que aqui se póe; pânico antropofágico

Monstruosamente carrega antagônicas belezas
Por cantos e recantos, por dentre, ao redor das galerias de artes
São cientístas que nos invejam de Marte

Me deito em quentes praias, mechas brancas que são seu sono
País eterno do futuro, vive passado e presente de cão sem dono
Onde o tempo corre lento como é a dor, onde me tenho e me perco de amor


(Teo Petri)

20 de outubro de 2008

O Corpo

Encontraram-me,
Quatro dias depois

Pálido, lábios roxos,
Literalmente guardado,
Numa velha e fria gaveta.

O assassino,
Nem sei quem foi.
Tampouco importa,
Eu não existo mais...

Sou, daquele instante
Em diante, somente um
Lapso de memória alheia...


(Vicente Kresiak)

Alone in Paris

Na vitrola um indierock francês,
Algo estupidamente gelado no copo,
A noite nunca fora tão vazia e solitária.

Talvez fosse mais apropriado telefonar,
Mas me preocupo com tal possibilidade.

Aquela, dela simplesmente não atender...

Oh shit!


(Vicente Kresiak)

17 de setembro de 2008

Agreste

Busquei a morte
Em despretenciosos
Goles de absinto

E sinto, que já não
Posso sentir mais
Nada, que dureza.

O agreste pálido,
De minh'alma recém
Exonerada, refletido

Em meus duros olhos...

Olhos diminutos,
Olhos de sangue,
Sangue da boa vida.


(Vicente Kresiak)